Algumas questões respondidas – Vegetarianismo

Este artigo tem por objetivo elucidar apenas alguns questionamentos colocados em face da prática do Vegetarianismo. Não pretendo abordar o assunto minuciosamente, pois se trata de um tema bastante extenso, o qual eu levaria ao menos 1 ano para escrever parte do que conheço e penso sobre o assunto. Portanto, dentre todos os motivos para adotar o Vegetarianismo, abordarei apenas um pouco do fator concernente à moral.

Vegetal também tem vida, e os vegetarianos comem por quê?

i) Ora, essa é uma questão muito simples, porém bastante colocada pelos comedores de carne ou até mesmo por alguns vegetarianos desinformados.
Precisamos consumir algum alimento para sobreviver e viver com saúde; tentemos comer um Porco. Este demonstra resistência ao abate e clara sinalização de sofrimento: percebemos berros, choros angústia, sofrimento, gritos de dores, enfim. Tudo bem, tentemos agora a alface. Esta não exibe sinal algum para que nós percebamos como fonte de dor. Algúem pode então comentar que ela pode sentir dor, mas não conseguimos perceber, e ai? A dor  tal qual conhecemos é explicada pela ciência através do sistema nervoso; vegetais não possuem sistema nervoso, portanto não possuem nenhum tipo de dor ou sentimento tais quais conhecemos.Não estou dizendo que vegetais queiram ou não queiram servir de alimentos, porém precisamos nos alimentar. Nossa experiência mostra que esses sinais são intrínsecos da Natureza de defesa da vida; a dor, por exemplo, é uma defesa. Sabemos, vemos e sentimos o sofrimento animal, porém não o vegetal. Precisamos comer algo, qual escolha mais justa no momento? Decerto não é comer o animal. É bom lembrar também que grãos, frutas, sementes,etc não possuem vida!

ii) O Gado, por exemplo, alimenta-se dos vegetais; cada animal come cerca de 400Kg de vegetação por mês. A pecuária causa desmatamento; um só hambúrguer, por exemplo, desmata metros de floresta e causa a morte de muitos seres vivos cujo habitat foi utilizado para o pasto; morte de inúmeras plantas, aves, insetos, mamíferos, répteis. Torna o solo improdutivo e, assim, ainda interfere no surgimento de novas vidas no local. O gado degrada o solo ao tirar a vegetação e compactar a terra com seus poderosos cascos que geram aproximadamente 7Kg por centímetro quadrado de pressão. Consideramos aqui apenas o gado, fora os outros animais que o homem mata para comer.

iii) Aplicando o Princípio da Mínima Violência(em breve, teorizarei), fica claro que consumir carne destroi muito mais vidas que o consumo direto de vegetais. O objetivo não é acabar com os prejuízos que causamos, mas minimizá-los! O fato de estarmos vivos já causa alguns prejuízos à Natureza, mas devemos minimizá-los.

E alguns animais matam outros animais para se alimentar, por que deveríamos agir de forma diferente? E a cadeia alimentar?

i) Mais uma questão utilizada como desculpa para não adoção ao vegetarianismo. O Homem faz questão de afirmar ser mais evoluído que os outros animais, e a questão da inteligência é um dos tópicos abordados para isso. Ora, não faz sentigo algum o Homem ser mais inteligente se não estivesse inserido em um plano de consciência superior. A conduta de vida humana não pode ser a mesma dos outros animais, pois representaria uma involução.No plano animal, é justa a alimentação carnívora, pois lá a Lei se apresenta através da seleção natural. No plano Humano, a Lei se apresenta através da racionalidade, consciência e inteligência; O correto estilo de vida não é o do mais forte, mas o do justo, aquele que possui uma postura reta diante dos outros seres vivos, praticando ações que gerem positividade e minimizem os danos à Vida.

ii) Eis então que uma moral justa em um nível de evolução, não o é em outro nível mais adiantado. Eis que, pode tornar-se imoral e desonesto o que anteriormente era lícito e julgado honesto.A cadeia alimentar é uma visão puramente animal, onde não considera a consciência evoluída humana, portanto não pode ser aplicada ao Homem em termos de justificativa pra que ele possa matar outro animal. Caso contrário, não seria ele mais evoluído.

E quando eu caminho e mato formigas, por exemplo, não é a mesma matança?

i)Induvidosamente a resposta é não. Como dito antes, há ações prejudiciais inevitáveis tais quais esse exemplo. Porém, é facil perceber a diferença entre um exemplo e o outro com base unicamente na sua consciência!

ii)A ação de matar, destruir uma vida, está conectada a certos critérios que conferem graus de gravidade ou seriedade ao ato de matar; conferindo prejuízos em maior e menor proporção.

1) Nível de consciência do ser morto. Quanto maior o nível de consciência, mais grave é o ato, já que mais consciência é proporcional também ao sofrimento envolvido.
2) A intenção de quem matou. Se há intenção em matar, em ferir e em prejudicar o ser morto sem nenhuma necessidade extrema. Alimentar-se de carne nem necessidade é, muito menos uma necessidade extrema. Sabemos disso, não seja desonesto consigo próprio.
3) A consciência daquele que matou acerca do ato que realizou. Ou seja, quem matou estava consciente do seu ato, plenamente ciente de que está prejudicando outro ser e destruindo a vida. Alem disso, o motivo pelo qual matou outro ser não foi de necessidade absoluta.

iii) ”Porque mesmo os animais e outros seres comuns possuem as raízes do bem, por menores que elas possam ser.” A morte da formiga devido ao caminhar é de menor grau de seriedade que a morte praticada sobre a alimentação, pois a primeira não é intencional, mas a última, consumir um animal, é totalmente consciente e, na maioria das vezes, realizada apenas pelo prazer do paladar colocado acima do direito à Vida.

iv) Os mesmos critérios podem ser aplicados em relação à argumentação de que, mesmo que não se coma carne, quebra-se o preceito de não matar.

Quando matam-se micro-organismos, vírus e bactérias, se faz por necessidade absoluta de sobrevivência (segundo critério), ou seja, não se enquadra como quebra de preceito.Quando se “matam” verduras para o consumo, as verduras não têm consciência do sofrimento uma vez que não são portadoras de sistema nervoso ou de “sentidos” (primeiro critério). O fato de “matá-las” através da colheita é uma necessidade absoluta de alimentação (segundo critério). Ou seja, não se enquadra na quebra de preceito.
Quando se matam seres ao deslocar-se pelas ruas, recostar-se em algum lugar ou mesmo simplesmente respirar, não há intenção ao fazê-lo (segundo critério) e nem consciência do fato quando ele ocorre (terceiro critério).

Os animais abatidos têm consciência e sentem dor.

Eis então que uma moral justa em um nível de evolução, não o é em outro nível mais adiantado. Eis que, pode tornar-se imoral e desonesto o que anteriormente era lícito e julgado honesto.  Pietro Ubaldi

Retirei alguns trechos do seguinte site: http://vegetarianismoveganismo.wordpress.com/vegetarianismo-e-religiao/estudo-sobre-budismo-e-vegetarianismo/

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4 comentários em “Algumas questões respondidas – Vegetarianismo

  1. “O fato de estarmos vivos já causa alguns prejuízos à Natureza, mas devemos minimizá-los.”

    Em geral eu concordo com os seus argumentos, mas nessa frase você trata o ser humano como se fosse externo à natureza, o que é um problema, porque nós fazemos parte da natureza. Essa ideia de que existe uma separação entre o homem e a natureza é problemática… Um macaco causa prejuízos à natureza? O homem causa prejuízos à natureza não porque não faça parte dela. Enfim, você pode dar uma olhada no livro do Antonio Carlos Diegues chamado “O mito moderno da natureza intocada”. De qualquer forma entendo que esse não é o centro do seu texto, mas resolvi comentar mesmo assim.

    Um abraço!

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