Lampejos

Ao meu redor, num vaivém errante,

neste esplendor sem par que o outono veste,

asinhas diáfanas, a cada instante,

pululam sob a abóbada celeste.

Chegai-vos, ó libélulas amigas,

para o bailado deste fim de tarde,

dançar ao ritmo de sutis cantigas,

enquanto o sol, no acaso, em chamas arde.

Esvoaçando ao encontro do firmamento,

sorvei a luz do dia que desmaia,

quero integrar-me a este ardor sedento,

até que desça a noite sobre a praia

E, quando a sombra misteriosa e fria

transfigurar a lucidez em treva,

e um mundo cheio de melancolia

quebrar o encanto que minh’alma eleva,

Terei de adormecer entristecida,

para aguardar a próxima alvorada,

e flutuar assim, de vida em vida,

entre o absoluto IMENSO e o extremo NADA.

Mahiru

(Retirei de um certo livro)

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por alexandrehefren Postado em Palavras

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